
Revista Periferia/FEBF - UERJ ISSN: 1984-9540Rua General Manoel Rabelo, s/n Vila São Luis, Duque de Caxias - RJ CEP.25065-050Tel: (21) 3651-8410 [dir.] Fax: (21) 3651-8278 [secr.]E-mail: periferiaurbana@uerj.brRevista do programa de pós-graduação em educação, cultura e comunicação em periferias urbanas |
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Este número de Periferia, na interface entre os campos da cultura, da educação e da comunicação, traz um dossiê temático sobre Antropofagia, incluindo uma edição crítica do Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, estabelecida e comentada por Michel Riaudel. Os artigos aqui reunidos procuram, cada um a seu modo, refletir sobre a obra de Oswald de Andrade, analisar alguns de seus desdobramentos e releituras contemporâneas, e experimentar novas apropriações de seu pensamento nos campos da filosofia, da arte e da política. A Antropofagia aparece como categoria fundamental para a cultura brasileira, suscitando nossos diferentes modos de praticar e pensar a relação com o Outro.
Michel Riaudel (Devemos temer a antropofagia?) mostra que, embora elaborado sobre a metáfora da antropofagia cultural, o Manifesto situa-se retoricamente no campo da metonímia, instituindo uma espécie de relação metonímica com o mundo e com o outro. Celzo Azar (Montaigne e o Modernismo) sublinha o papel de Montaigne na construção da categoria do canibal e analisa as relações de mão dupla que unem os Ensaios de Montaigne e o Manifesto Antropófago. Jorge Vasconcellos (Oswald de Andrade, filósofo da diferença) sugere tomar a antropofagia não como metáfora, mas como conceito, capaz de dar conta de problemas e questões propriamente filosóficos.Tiago Leite Costa (Aspectos do conceito de Utopia na filosofia antropofágica )analisa o conceito de utopia como peça chave de sua revisão antropofágica. O autor mostra que Oswald privilegia na utopia não tanto seu caráter ideal, mas seu componente crítico e seu questionamento político. Frederico Coelho (Só me interessa o que não é meu) reflete sobre a diferença entre a concepção de alteridade na época da redação do Manifesto e hoje, em que ela se tornou um valor de mercado. Ana Kiffer (Meu corpo a vossa fome) recorre a Glauber Rocha e Artaud para elaborar um “pensamento da fome” entendido como uma subversão da antropofagia. Paulo Domenech Oneto (Geofilosofia e antropofagia), recorrendo aos conceitos de terra e território propostos por Deleuze e Guattari, reflete sobre o Manifesto como uma estratégia de invenção social.
Finalmente, trazemos a edição crítica do Manifesto Antropófago, organizada e comentada por Michel Riaudel. As notas, inicialmente destinadas ao leitor europeu, ultrapassam em muito a função de esclarecer o contexto de sua redação e precisar o sentido de alguns termos: são fruto de uma rigorosa leitura crítica que identifica diálogos e apropriações presentes no Manifesto, mapeia referências e leituras de Oswald que perpassam o texto e explicita muitas de suas alusões.
Silvia Pimenta e Mauro Costa, pela Comissão Editorial |
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Devemos temer a antropofagia? - Michel Riaudel
O Modernismo brasileiro e Montaigne: A Antropofagia de Oswald de Andrade - Celso Azar
Oswald de Andrade, filósofo da diferença - Jorge Vasconcellos
Aspectos do conceito de Utopia na filosofia antropofágica - Tiago Leite Costa
Só me interessa o que não é meu - Frederico Coelho Meu corpo a vossa fome - Ana Kiffer
Geofilosofia e antropofagia: Esboço de leitura deleuzo-guattariana do pensamento modernista de Oswald de Andrade - Paulo Oneto
Oswald de Andrade - Manifesto antropófago – Edição crítica e notas de Michel Riaudel |